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Trabalho individual x trabalho em equipe

O trabalho individual se tornou uma prática nas organizações públicas que adotam o modelo de gestão voltado para controle. A burocracia com foco excessivo em controle impôs uma organização do trabalho por especialização, mas esta diretriz sofreu um desvio, quando prosperou uma grande competição, dentro dos órgãos, por cargos e poder. Nesta direção instalou-se, na administração pública, uma cultura de concentrar e centralizar informações e procedimentos, como forma de garantir estabilidade nos cargos (Bresser, 2001).

O trabalho individualizado provoca descontinuidade da ação administrativa, desperdício de recursos e estagnação no desenvolvimento funcional do servidor. A correção do modelo de gestão burocrático, voltado para controle, segundo Bresser (2001), ressalta, por sua vez, a necessidade de mudar esta forma de trabalho.
A empresa Boucinhas & Campos (1998) ressalta que esta forma de execução do trabalho se mostrou ineficiente em diversos aspectos, na administração tributária:

• os trabalhos sofriam solução de continuidade, no caso do servidor designado se ver impossibilitado de concluí-lo, porque somente este servidor conhecia o trabalho e a forma de executá-lo;

• os gerentes não tinham nenhum controle sobre as tarefas realizadas;

• os servidores adquiriram um grau de autonomia prejudicial, em relação aos objetivos institucionais;

• os processos não eram padronizados, existindo várias formas de se fazer a mesma coisa.

Entretanto, a principal conseqüência desta forma de trabalho era a não disseminação do conhecimento. Quando um servidor aposentava ou deixava o setor que trabalhava, o seu serviço não era repassado para outro, causando sérios transtornos para a organização, em função de descontinuidade das ações.

Os servidores, por sua vez, estavam muito voltados a execução de seu próprio trabalho, perdendo, muitas vezes, a visão sistêmica. Com o passar do tempo, a grande maioria dos servidores não sabia para que realizava determinada tarefa e não conseguia fazer relação de seu trabalho com o todo organizacional, não existindo consciência da relação cliente e fornecedor interno.

Mucchielli (1980, p.35) define esta característica como divisão excessiva do trabalho, onde as tarefas são repetitivas e não há a finalização do trabalho. O autor ressalta que "a não finalização imposta da tarefa gera uma tensão psicológica e um mal-estar persistente". Para neutralizar este desconforto, o servidor irá procurar compensações, que variam desde o reforço das relações informais até desconsideração para com a tarefa.

Em contrapartida, a empresa Boucinhas & Campos (1998, p.58) propôs o trabalho em equipe, como forma de amenizar estes problemas e de racionalizar os recursos de pessoal existentes na instituição. Segundo a empresa, o trabalho em equipe pressupõe que “as pessoas irão se juntar e trabalhar na mais completa interação e articulação internas”. Neste sentido, na formação de equipes de trabalho não se prevê a divisão interna do trabalho, mas procura-se respeitar o conhecimento e as habilidades técnicas de cada componente da equipe.

Outra característica proposta pela empresa Boucinhas & Campos está relacionada aos objetivos: todas as equipes estarão orientadas para metas e resultados. A partir da meta, os integrantes terão liberdade para escolher o líder da equipe e para definir a participação de cada membro.

Ressalta-se, neste contexto, que o trabalho em equipe não se efetiva simplesmente pela formalização destas equipes e a distribuição da tarefa com seus respectivos objetivos. Novo paradigma está sendo introduzido na administração tributária, no momento em que se está sugerindo que as pessoas abram mão de parte de sua liberdade e individualidade profissionais, trocando-as por mais efetividade na obtenção de objetivo, mais racionalidade do trabalho e mais agregação de valor individual, pela transferência de conhecimento mútuo. Aspectos culturais, conseqüentemente, estão envolvidos nesta transformação da forma de trabalho.

O trabalho em equipe, com foco no cidadão, apresenta-se como parte essencial da vida profissional, tornando-se o fundamento da administração pública bem-sucedida. Uma equipe, quando trabalhando em sua plenitude, otimiza recursos e resultados e, ainda, se constitui em um importante veículo de disseminação de conhecimento. É por meio do trabalho em equipe que se conjugam habilidades e competências individuais para alcançar objetivos coletivos ou institucionais.

Mucchielli (1980) destaca sete características para o trabalho em equipe:

• o número de membro da equipe é quase sempre reduzido e esta limitação é necessária a fim de se garantir a eficácia da equipe;

• as relações inter-humanas desempenham um papel essencial na equipe, onde a equipe é uma rede de vínculo viva e estes vínculos devem ter qualidade;

• a equipe não é uma soma de seres humanos, mas uma totalidade, onde cada membro participa da equipe em primeiro plano, não existindo membros de segunda importância;

• a unidade é uma das características que dá a equipe, personalidade própria. Toda alteração,
de membros da equipe ou de relações, implica automaticamente alteração dos outros membros ou das relações;

• na equipe todos estão orientados para um objetivo e a cooperação é uma co-responsabilidade. "Cada um concorre, ora por si mesmo, ora com os outros, ora pelos outros, para uma sucessão de ações que são a razão de ser da equipe" (p.12);

• a equipe gera obrigações para os seus membros e muitas vezes implicam coordenação de esforços, disciplina e renúncia de liberdade para aceitar uma tática comum;

• toda equipe pressupõe uma organização e sua estrutura é variável, de acordo com seus objetivos.
Seagoe (apud Mucchielli,1980, p.34) define o valor do trabalho em equipe por meio da seguinte afirmação:

Para que o trabalho em grupo seja eficaz cada um de seus membros deve estar consciente das motivações subjacentes dos outros e querer que os outros atinjam seus fins tanto quanto ele. O grupo deve trabalhar junto para soluções definidas, em conjunto, em vez de predeterminadas. Se o grupo é apenas um agregado de indivíduos sem interações, haverá apenas pouco esforço; às vezes haverá parasitismo e ocasionalmente exploração (do grupo por um de seus membros, ou de um membro por outro).

Mucchielli (1980) constata que muitos observadores concordam que existem vantagens significativas no trabalho em equipe. Empresas que trabalham com pequenos grupos, assegurando a estes a totalidade de um determinado trabalho, têm seu desempenho otimizado em cerca de 50% em relação àquelas que trabalham em cadeia, com especialização e divisão do trabalho.

Complementa o autor, por sua vez, que a especialização e a complexidade dos processos exigem que o trabalho seja desenvolvido por equipes a fim de garantir eficácia. Neste contexto, o trabalho em equipe não visa tão somente racionalizar e motivar pessoas, por meio da execução de tarefas completas ao invés de segmentadas. Visa, também, transferir conhecimento e estimular a formação de equipes heterogêneas, com a finalidade de criar soluções mais sistêmicas.

Diante do exposto, este estudo conclui que o fator formas de trabalho apresenta dois comportamentos distintos: trabalho individualizado, no modelo com foco em controle e em equipe, no modelo com foco em resultados.
Desta forma, para analisar em que estágio de transição a organização pública se encontra, em relação ao fator formas de trabalho, é suficiente verificar se os servidores estão desempenhando suas funções de maneira individualizada ou em equipe.

• Trecho extraído da dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Engenharia de Produção.

Autora: ROSEMEIRE BARBOSA TAVARES (2002) —

Fonte: https://www.facebook.com/sindiffim.audittributosgoiania?fref=ts

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